Dois pra cá e dois pra lá: as (des)mobilizações estudantis com o forró
DOI:
https://doi.org/10.18406/2359-1269v12n42025748Resumo
A dança é um conteúdo da Educação Física que ainda enfrenta desafios em seu trato pedagógico (Brasileiro, 2003). Com base na teoria da relação com o saber (Charlot, 2000), esta pesquisa investigou as formas de mobilização de estudantes do Ensino Médio diante da dança. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, realizada com uma turma do 1º ano do Ensino Médio do IFSULDEMINAS, por meio de observação participante durante aulas de forró, elaboradas sob inspiração da proposição semiótica-pragmaticista (Betti; Leitão; So, 2023); e entrevistas semiestruturadas com cinco estudantes (três meninas e dois meninos). Os resultados indicaram que os estudantes ampliaram suas concepções sobre a dança. No entanto, os que se identificam com esportes coletivos com bola — geralmente mais habilidosos/as — apresentaram maior resistência. Já os/as menos habilidosos/as demonstraram maior valorização, sentido e desejo pelas aulas. Elementos como a cultura escolar do IFSULDEMINAS, os jogos de dança, a inclusão de todos/as, a sensação de competência no forró, o uso de múltiplas linguagens (música, vídeos, fotos) e a organização pedagógica favoreceram a mobilização. Por outro lado, o excesso de avaliações e o foco em discussões críticas (falar/discutir) sobre o forró foram percebidos como desmotivadores. Conclui-se que é necessário repensar constantemente as estratégias pedagógicas, buscando integrar o “corpo em movimento” com os “saberes enunciados” e iniciar o ensino da dança pelo “sentir” (estética), para então avançar para as dimensões da ação (ética) e da reflexão (lógica).
Palavras-chave: Dança; Relação com o saber; Proposição semiótico-pragmaticista.
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