Defesa pessoal como prática interseccional para pessoas com deficiência visual e múltipla: relato de experiência no Projeto Adapta

Autores

  • Barbara Siqueira Rangel IFSULDEMINAS - Campus Muzambinho
  • Kimberlly Steicy Marques de Paula IFSULDEMINAS - Campus Muzambinho
  • Thálita Gonçalves Santos IFSULDEMINAS - Campus Muzambinho

DOI:

https://doi.org/10.18406/2359-1269v12n42025821

Resumo

Pessoas com deficiência enfrentam múltiplos fatores de vulnerabilidade social, que se agravam quando interseccionados com marcadores como raça, gênero e classe. Nesse contexto, práticas corporais adaptadas, como a defesa pessoal, emergem como estratégias potentes de promoção da autonomia, autoestima e inclusão. Este trabalho objetiva apresentar a percepção da perspectivas de participação de alunos/as com deficiência visual e múltipla das aulas de defesa pessoal, com base na vivência das monitoras do Projeto Adapta, este que é vinculado ao Instituto Federal do Sul de Minas, campus de Muzambinho. Trata-se de um relato de experiencia que utilizou a análise da prática de monitoria para discussão crítica. Para tanto, utilizamos registros de relatos espontâneos realizados no cotidiano. As aulas, ministradas semanalmente, foram adaptadas às necessidades sensoriais dos participantes, visando ao desenvolvimento da percepção espacial, consciência corporal, tempo de reação e autoconfiança. A partir da óptica interseccional, observou-se a influência de marcadores sociais para a percepção da pratica, visto em devolutivas pós aulas, um participante homem presente sendo ele cis e branco, de 44 anos, cego por retinose pigmentar; afirmou que a defesa pessoal o fazia se sentir mais preparado e confiante, enquanto que uma outra participante mulher, negra e cis de 29 anos, cega em decorrência de meningite, com deficiência auditiva e má formação congênita, destacou a importância de não ser vista apenas como vulnerável. Conclui-se que tais práticas na formação universitária, contribui para reflexões sobre o capacitismo e o enfrentamento das vulnerabilidades sociais reconhecendo seu impacto da interseccionalidade na vivência e percepção dos participantes.

 

Palavras-chave: Educação Física Adaptada; Interseccionalidade; Defesa Pessoal; Deficiência Visual, Deficiência Múltipla.

Publicado

2026-02-26

Como Citar

Defesa pessoal como prática interseccional para pessoas com deficiência visual e múltipla: relato de experiência no Projeto Adapta. Revista Eixos Tech, [S. l.], v. 12, n. 4, 2026. DOI: 10.18406/2359-1269v12n42025821. Disponível em: https://eixostech.pas.ifsuldeminas.edu.br/index.php/eixostech/article/view/821. Acesso em: 28 fev. 2026.