INCIDÊNCIA E FATORES ASSOCIADOS À RADIODERMATITE EM PACIENTES COM CÂNCERES DE MAMA E DE CABEÇA E PESCOÇO

Regina Alba Silveira Beraldo, Fernanda Mateus Queiroz Schimidt, Vera Lucia Conceição de Gouveia Santos, Juliana de Souza Melo, Thatiane Clatt Cruvinel Conti, Nariman de Felício Bortucan Lenza, Rodrigo Calixto Mattar

Resumo


Introdução: A prática clínica em oncologia mostra que um grande número de pacientes submetidos à teleterapia apresenta radiodermatites, porém os dados de incidência dessa reação ainda são incipientes, principalmente no Brasil. Objetivos: Avaliar a incidência e o grau de radiodermatite aguda em pacientes submetidos à radioterapia para cânceres de mama e de cabeça e pescoço; e verificar a associação entre o grau de radiodermatite apresentada pelos pacientes e as variáveis sociodemográficas e clínicas. Métodos: Estudo de coorte prospectivo, realizado em um hospital oncológico de Minas Gerais, com 43 pacientes acompanhados durante a radioterapia para verificação de presença e grau de radiodermatite, pela escala RTOG (Radiotion Therapy Oncology Group). A amostra foi constituída pelos pacientes com cânceres de mama e de cabeça e pescoço, submetidos à teleterapia, no período de agosto a dezembro de 2017, segundo os critérios de inclusão: ter idade igual ou superior a 18 anos; estar em início de radioterapia e ter a pele íntegra na primeira sessão. Os pacientes foram avaliados semanalmente por duas enfermeiras e um médico radioterapeuta. Para coleta dos dados, utilizaram-se dois instrumentos: dados sócio-demográficos e clínicos, e registro das avaliações periódicas. As variáveis foram analisadas separadamente para os pacientes com câncer de mama e câncer de cabeça e pescoço, utilizando-se os testes Qui-quadrado, t-Student, e análise de sobrevivência. O projeto foi aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa. Resultados: Dos 50 pacientes atendidos no serviço durante o período de coleta de dados, que se enquadravam nos critérios de inclusão, 43 participaram do estudo, sendo 17 (39,5%) com câncer de cabeça e pescoço e 26 (60,5%) com câncer de mama. A idade média foi de 58 anos (DP= 14,9), com predomínio da raça branca. Todos os pacientes incluídos na amostra apresentaram algum grau de radiodermatite, perfazendo incidência de 100%. A maioria dos pacientes apresentou radiodermatite em grau 1, tanto para o grupo com câncer de mama (16/ 61,5%) quanto para o grupo de cabeça e pescoço (14/ 82,3%). Três (17,6%) pacientes com câncer de cabeça e pescoço e oito (30,7%) com câncer de mama evoluíram para grau 2. Apenas três (11,5%) pacientes com câncer de mama apresentaram reação em grau 3, o que não foi observado em qualquer paciente com câncer de cabeça e pescoço. Nenhum paciente da amostra apresentou radiodermatite em grau 4. Para pacientes com câncer de mama, a raça branca foi preditora do desenvolvimento de graus 2 e 3, enquanto para aqueles com câncer de cabeça e pescoço, a intensidade foi associada ao não-tabagismo. Conclusões: Observou-se elevada incidência de radiodermatites, com intensidade associada à raça branca e ao não tabagismo, fatores ainda controversos na literatura. Sugere-se que estudos multicêntricos sejam realizados para melhor compreender a incidência e associações aqui encontradas.


Palavras-chave


Radiodermatite; Epidemiologia; Neoplasias de mama; Neoplasias de cabeça e pescoço; Radioterapia.



DOI: http://dx.doi.org/10.18406/2359-1269v5n12018204

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Direitos autorais 2019 Regina Alba Silveira Beraldo, Fernanda Mateus Queiroz Schimidt, Vera Lucia Conceição de Gouveia Santos, Juliana de Souza Melo, Thatiane Clatt Cruvinel Conti, Nariman de Felício Bortucan Lenza, Rodrigo Calixto Mattar

INDEXADORES:

 


Eixos Tech, Passos, MG, Brasil. e-ISSN: 2359-1269

Classificação Qualis: B4

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